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Quais as diferenças entre usucapião judicial e extrajudicial — e qual é o melhor para o seu caso?

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O que é usucapião e por que ela existe

usucapião é uma forma de aquisição de propriedade reconhecida por lei quando alguém exerce a posse mansa, pacífica e contínua sobre um bem por um determinado período de tempo.
Em outras palavras, a pessoa que vive, cuida e mantém um imóvel como dono acaba obtendo o direito legal de propriedade.

Esse mecanismo serve para regularizar imóveis abandonados, irregulares ou sem registro, dando segurança jurídica a quem de fato utiliza o bem.


Duas formas de legalizar a posse: judicial e extrajudicial

Até poucos anos atrás, a única forma de conseguir o reconhecimento da propriedade era pela via judicial, ou seja, através de um processo perante o juiz.
Com a modernização do sistema registral, o artigo 216-A da Lei de Registros Públicos (Lei nº 6.015/73) passou a permitir o usucapião extrajudicial, realizado diretamente em cartório, de maneira muito mais rápida.

A seguir, veja as principais diferenças entre as duas modalidades.


Usucapião judicial: quando há conflito ou dúvida

usucapião judicial corre na Justiça e é indispensável quando há litígio ou oposição — por exemplo, quando herdeiros, vizinhos ou antigos proprietários contestam a posse.
Também é utilizado quando os documentos do imóvel têm problemas, faltam certidões ou há necessidade de perícia técnica.

Etapas comuns da usucapião judicial:

  • Contratação de advogado especializado;
  • Ajuizamento da ação na Vara Cível;
  • Notificação de confrontantes e interessados;
  • Produção de provas e oitiva de testemunhas;
  • Sentença judicial reconhecendo a propriedade.

Vantagens: garante a segurança plena da decisão judicial.
Desvantagens: o processo costuma ser mais demorado (de 1 a 3 anos) e mais caro, devido às custas e honorários.


Usucapião extrajudicial: a regularização rápida feita em cartório

Já o usucapião extrajudicial é um procedimento administrativo realizado diretamente no cartório de registro de imóveis, sem necessidade de ação judicial.
É uma alternativa mais rápida e econômica para quem não tem conflitos e possui documentação organizada.

Para isso, é necessário:

  • Comprovar posse ininterrupta e pacífica pelo tempo exigido (5, 10 ou 15 anos, conforme o tipo de usucapião);
  • Apresentar planta e memorial descritivo elaborados por engenheiro ou arquiteto;
  • Obter a anuência dos vizinhos (confrontantes);
  • Mostrar comprovantes de tributos e contas em nome do possuidor;
  • Contar com advogado para preparar o requerimento e acompanhar o processo.

Vantagens: costuma levar de 90 a 180 dias, com custo muito menor e sem audiência judicial.
Limitação: só é possível quando não há disputa nem oposição dos proprietários ou herdeiros.


Principais diferenças entre usucapião judicial e extrajudicial

AspectoUsucapião JudicialUsucapião Extrajudicial
Processo ocorre emVara Cível (Poder Judiciário)Cartório de Registro de Imóveis
Necessidade de juizSimNão
Presença de litígioPode haver disputaPrecisa haver consenso
Tempo médio1 a 3 anos3 a 6 meses
CustoCustas judiciais + honoráriosTaxas cartorárias reduzidas
Documentação exigidaProvas formais e testemunhasDocumentos técnicos e declarações
Segurança jurídicaMáxima (sentença judicial)Alta, quando documentado corretamente

Qual é o melhor tipo de usucapião para o seu caso?

A resposta depende da situação do imóvel e da posse.

  • Se há disputa, falta de documentos ou desentendimento entre herdeiros, o caminho mais seguro é o usucapião judicial, onde o juiz decide o direito.
  • Se tudo está em ordem, há consenso entre os interessados e você possui os documentos adequados, o usucapião extrajudicial é o mais rápido, econômico e eficiente.

Em ambos os casos, a orientação de um advogado especialista em Direito Imobiliário é essencial para analisar documentos, avaliar riscos e conduzir o processo corretamente.


Conclusão: regularizar é valorizar o seu imóvel

O reconhecimento da propriedade por usucapião é mais do que um direito — é uma forma de trazer tranquilidade e segurança jurídica.
Seja pela via judicial ou extrajudicial, cada processo tem suas vantagens, e a escolha correta depende do histórico e das condições do imóvel.

Evitar atrasos, organizar documentos e buscar orientação técnica é o melhor investimento para quem quer transformar a posse em propriedade.

Procure orientação jurídica especializada e evite decisões precipitadas.

Odilon de Oliveira Júnior é advogado (OAB/MS 11.514).

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