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Audiência de custódia: como o custodiado deve se portar diante do juiz

Audiência de custódia — advogado conversa com homem custodiado em sala de audiência antes da fala ao juiz.

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Audiência de custódia: como o custodiado deve se portar diante do juiz

A audiência de custódia é um dos momentos mais importantes logo após uma prisão. É nela que o preso é apresentado rapidamente a um juiz, em regra em até 24 horas, para que o Judiciário verifique a legalidade da prisão, a necessidade de sua manutenção e a ocorrência de abusos, agressões ou irregularidades.

Muita gente confunde esse ato com um “julgamento” do caso. Não é. A audiência de custódia não existe para decidir se a pessoa é culpada ou inocente. Seu foco é outro: controlar a legalidade da prisão e avaliar se o custodiado deve permanecer preso ou se pode responder em liberdade, com ou sem medidas cautelares.

Por isso, saber como se portar nessa audiência pode fazer diferença.

O que é a audiência de custódia

Na audiência de custódia, o juiz ouve a pessoa presa, com a presença do Ministério Público e da defesa, que pode ser feita por advogado particular ou pela Defensoria Pública. Se você quiser entender o procedimento de forma mais ampla, vale ver também nosso guia sobre como funciona uma audiência de custódia.

Nesse momento, o magistrado pode, em linhas gerais:

  • relaxar a prisão, se ela for ilegal;
  • conceder liberdade provisória, com ou sem medidas cautelares;
  • converter a prisão em flagrante em prisão preventiva, quando entender presentes os requisitos legais.

Além disso, a audiência serve para apurar se houve tortura, maus-tratos, ameaças, violência policial ou outras irregularidades desde a abordagem até a apresentação ao Judiciário.

O que o juiz avalia nessa audiência

É importante entender o que está em jogo. O juiz normalmente analisa:

  • se a prisão foi legal;
  • se o flagrante respeitou as regras do processo penal;
  • se realmente existe necessidade de manter a pessoa presa;
  • se medidas cautelares seriam suficientes;
  • se houve abuso físico, psicológico ou constrangimento ilegal.

Ou seja: não é a hora de discutir toda a versão do crime em profundidade. É, antes de tudo, um ato de controle da prisão.

O primeiro ponto: mantenha a calma

A primeira orientação prática ao custodiado é simples: mantenha a calma.

A audiência de custódia costuma acontecer em ambiente de forte tensão emocional. O preso está cansado, abalado, com medo e, muitas vezes, sem entender o que vai acontecer. Ainda assim, explosões emocionais, discussões agressivas, ironias ou provocações não ajudam.

Isso não significa ser passivo. Significa se comportar com sobriedade.

Algumas posturas importantes:

  • fale apenas quando for perguntado ou quando seu advogado orientar;
  • não interrompa o juiz, o promotor ou seu defensor;
  • não eleve o tom de voz sem necessidade;
  • não tente “enfrentar” verbalmente a audiência;
  • demonstre respeito formal pelo ambiente.

Calma, objetividade e autocontrole costumam ajudar mais do que desespero e impulsividade.

Não transforme a audiência em interrogatório do caso

Esse é um erro comum.

Muitas pessoas, por nervosismo, tentam usar a audiência de custódia para contar toda a história, discutir provas, acusar terceiros ou convencer o juiz de que são inocentes. Em geral, esse não é o melhor caminho.

A audiência de custódia não substitui a defesa técnica do processo. Falar demais, sem estratégia, pode criar contradições, antecipar informações sensíveis e atrapalhar a defesa futura.

Por isso, o custodiado precisa entender uma regra essencial:

não é obrigatório falar sobre os fatos do crime em detalhes naquele momento.

Em muitos casos, a melhor postura é responder de forma contida, sem inventar, sem exagerar e sem tentar “explicar tudo” de uma vez.

O direito ao silêncio existe — e deve ser levado a sério

O custodiado tem direito ao silêncio.

Isso significa que ele não é obrigado a produzir prova contra si mesmo. Se houver risco de se prejudicar ao falar sobre os fatos, a orientação do advogado pode ser justamente ficar em silêncio ou responder apenas o mínimo necessário.

É importante dizer algo com clareza: ficar em silêncio não significa confessar culpa. É um direito constitucional.

Muitas vezes, a ansiedade leva o preso a acreditar que precisa falar qualquer coisa para “mostrar boa vontade”. Nem sempre. Em processo penal, falar sem estratégia pode custar caro.

Se houve agressão, ameaça ou maus-tratos, isso deve ser dito

Aqui está um ponto central da audiência de custódia.

Se houve:

  • agressão física;
  • ameaça;
  • sufocamento;
  • humilhação;
  • coação;
  • privação de água, alimentação ou atendimento médico;
  • violência psicológica;
  • qualquer tratamento degradante;

isso deve ser informado ao juiz de forma clara e objetiva.

A audiência de custódia existe justamente para permitir esse controle.

A melhor forma de falar sobre isso costuma ser:

  • sem exageros;
  • sem teatralização;
  • com objetividade;
  • narrando o que aconteceu, quem fez, onde ocorreu e se há marcas ou testemunhas.

Se houve abuso, isso não deve ser escondido.

Fale a verdade sobre suas condições pessoais

Outro ponto importante: o custodiado deve informar corretamente circunstâncias pessoais relevantes, especialmente quando elas podem impactar a decisão judicial.

Por exemplo:

  • endereço fixo;
  • trabalho lícito;
  • filhos pequenos;
  • necessidade de cuidar de familiar;
  • problema grave de saúde;
  • uso contínuo de medicação;
  • gravidez;
  • deficiência;
  • idade avançada.

Esses dados podem influenciar a análise sobre a necessidade da prisão e a possibilidade de medidas cautelares menos severas.

Mas atenção: não invente vínculo, emprego ou condição pessoal. Mentira descoberta destrói credibilidade e pode piorar a situação.

Não discuta, não provoque e não tente bater de frente

Mesmo quando o preso considera a prisão injusta, a audiência de custódia não é o lugar para hostilidade.

Algumas atitudes que devem ser evitadas:

  • discutir com o promotor;
  • chamar policiais de mentirosos de forma descontrolada;
  • responder com ironia;
  • falar palavrões;
  • desafiar o juiz;
  • interromper o próprio advogado;
  • inventar fatos no calor do momento.

O comportamento do custodiado não substitui os requisitos legais da prisão, mas a forma como ele se apresenta pode afetar a percepção do ambiente sobre sua estabilidade, sinceridade e capacidade de cumprir eventual liberdade com cautelares.

Ouça seu advogado antes e durante a audiência

Se houver oportunidade de contato com advogado ou defensor, essa orientação deve ser levada a sério.

O defensor conhece a função da audiência e consegue distinguir:

  • o que precisa ser dito;
  • o que não convém antecipar;
  • o que é relevante para denunciar abuso;
  • o que pode ser deixado para o momento processual adequado.

Um dos maiores erros do custodiado é achar que precisa assumir o controle da própria defesa sem estratégia. Em geral, isso prejudica mais do que ajuda.

O que pode acontecer ao final da audiência

Ao fim da audiência de custódia, o juiz pode tomar uma destas decisões:

1. Relaxar a prisão

Se verificar ilegalidade na prisão, o juiz pode determinar o relaxamento.

2. Conceder liberdade provisória

A pessoa pode sair solta, com ou sem medidas cautelares.

3. Aplicar medidas cautelares

Por exemplo:

  • comparecimento periódico em juízo;
  • proibição de frequentar determinados lugares;
  • proibição de contato com certas pessoas;
  • recolhimento domiciliar noturno;
  • monitoração eletrônica.

4. Converter em prisão preventiva

Se entender presentes os requisitos legais, o juiz pode manter a custódia por meio de prisão preventiva.

Checklist visual sobre postura do custodiado em audiência de custódia.
Checklist visual sobre postura, silêncio estratégico e relato objetivo de abusos na audiência de custódia.

Em resumo: como o custodiado deve se portar

Se fosse para resumir em poucas linhas, a orientação prática seria esta:

  • mantenha a calma;
  • seja respeitoso;
  • não transforme a audiência em debate completo sobre o crime;
  • use com inteligência o direito ao silêncio;
  • relate agressões e abusos com clareza;
  • informe corretamente suas condições pessoais;
  • não minta;
  • siga a orientação do advogado ou defensor.

Conclusão

A audiência de custódia não é mero protocolo. Ela é um ato decisivo para controlar abusos, proteger garantias fundamentais e impedir prisões ilegais ou desnecessárias.

Para o custodiado, o mais importante é entender que esse não é o momento de impulsividade, bravata ou desespero. É o momento de postura, cautela e orientação técnica.

Falar pouco, falar certo e saber o que realmente precisa ser levado ao juiz pode fazer muito mais diferença do que tentar resolver tudo no susto.

FAQ

A audiência de custódia serve para absolver o preso?

Não. Ela não julga culpa ou inocência. Serve para analisar a legalidade da prisão e decidir se ela deve ser mantida.

O preso é obrigado a falar?

Não. O custodiado tem direito ao silêncio.

Se houve agressão policial, isso deve ser dito?

Sim. A audiência de custódia é um dos momentos próprios para relatar maus-tratos, tortura ou abuso.

O juiz pode soltar o preso na audiência?

Sim. Ele pode relaxar a prisão ou conceder liberdade provisória, com ou sem medidas cautelares.

Vale a pena tentar explicar todo o caso nessa audiência?

Em regra, não. A audiência de custódia não é o melhor momento para antecipar toda a defesa técnica do processo.


Nota editorial: Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui análise individual do caso concreto por advogado.

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